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Ao ouvir outras pessoas sobre suas alegrias, angústias e dúvidas quis compartilhar minhas impressões sobre esses momentos que vivencio no desejo de ser útil.

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Cara Cora Coralina

Quintal de Cora


Visita a cidade de Goiás, casa de Cora Coralina e o busto dela ao fundo na janela de seu quarto.

Cora estava à janela sorrindo. Ao mesmo tempo olhava as gentes passando em frente à sua casa. O rosto marcado pelos sabores do tacho. A alma suavizada pela fervura dos doces.
As mãos firmes pelas palavras escritas apoiavam a certeza de que estava no mundo e sabia, enfim, o seu lugar.
Ela convidou-me a entrar em sua casa. Com poucas palavras disse-me ter tudo de que precisava no mundo e também nada. Precisava de pouco para viver. Um liquidificador, uma geladeira, um ferro elétrico. Isso representava todo conforto de que necessitava.
Me embriaguei com suas palavras ao ouvi-la diante de mim.
Senti seu perfume espargido pelo correr das águas do Rio Vermelho.
Fiquei ao seu lado vendo o que seus olhos divisavam.
Vi o tempo passar. No tempo dela.
Vi suas roupas esticadas nos cabides ao lado de sua cama; seus livros enfileirados no livreiro como bons amigos.
A sua máquina de costura ainda com a linha a esperar pelos dedos mágicos dela.
Cora tocou-me o coração. Lágrimas verti pelo seu convite para sentar-me ao seu lado no banco de seu quintal.
Fechei meus olhos e apenas a escutei recitar.

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras 
e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema. (...)
(Livro: Aninha e suas pedras)

Parti dali sem dizer adeus por acreditar que reencontrei minha amiga.