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Ao ouvir outras pessoas sobre suas alegrias, angústias e dúvidas quis compartilhar minhas impressões sobre esses momentos que vivencio no desejo de ser útil.

Ao lê-las, comente-as. Deixe sua ideia, sua impressão.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Lua em Peixes




A sua sensibilidade estará também mais ativa, favorecendo abordagens mais generosas com a vida e com as pessoas.
O horóscopo de hoje anunciou que minha lua está em Peixes. Para entender melhor sobre isso a Casa onde a LUA se encontra descreve a área na qual as emoções são despertadas; o signo onde a Lua se encontra define a natureza de suas reações emocionais.
Bem, hoje é um daqueles dias que os olhos ficam garoando, o pensamento esvoaçando, as mãos frias pela minha ausência momentânea. Eu estou lá. Lá no alto, pairando sobre mim mesma.
Às vezes o peito solta um suspiro profundo enganado pelo ritmo da respiração regular.
Se eu pudesse estaria no mar, boiando e deixando-me ser levada, simplesmente à deriva. Esperando a lua passear em outra casa.
Mas não adianta ela mudar. Ela está marcada no meu nascimento, não apenas no dia de hoje. Esse peixe está fora d'água me chamando para a lua espiar. Obedientemente, e sabiamente, eu vou.
Não seria eu o que sou, prática e sensível ao mesmo tempo se não desse a atenção a cada casinha de minha vida. Se não entendesse a minha origem em todos os aspectos.
Olho para o céu e percebo que o meu espelho está aqui diante de mim refletido sobre as águas e queimando como fogo cuspido da boca do dragão.
Sol: Áries
Ascendente: Sagitário
Lua: Peixes
Chinês: Dragão
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Fotografias de momentos



Certa vez li sobre a importância de entendermos que a vida é feita de momentos. Tais como fotografias que registramos ao longo de nossas vidas os momentos são para ser vividos, sentidos em sua plenitude, não um marasmo como alguns apregoam com o desejo de frearem o tempo. O tempo é nosso aliado quando passamos a nos conhecer melhor e a usufruir de todo nosso potencial como seres íntegros. De inteiros, completos e ao mesmo tempo construtivos. O que captamos desses momentos vivenciados é o que nossos olhos são capazes de perceberem. E os olhos são os intrumentos da alma para registrarem emoção, prazer ou até mesmo a dor. A dor de ver a dor do outro ou a nossa própria limitação diante da vida. 
Mas somos nós mesmos que escolhemos qual a melhor perspectiva para fotografarmos a vida. Qual o melhor ângulo para registrarmos um perfil.
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sábado, 13 de novembro de 2010

E aí, seu Adoniran?

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Da última vez que nos vimos foi há uma semana em uma viagem pelo circuito cultural paulista para uma apresentação em Valparaíso e Regente Feijó. Ele foi quietinho no banco da frente ao lado do motorista olhando tudo enquanto o carro comia a estrada. Atrás, nós, companheiros de viagem, íamos ora cantando ora dormindo. E ele lá, na sua.
Não olhava para trás. Seguia confiante. Talvez estivesse concentrado para a apresentação logo mais na cidade paulista. 
Não atrevi puxar conversa com ele. Fiquei um pouco intimidada com sua presença na van. Era a primeira vez que eu saía assim em caravana artística. Já o grupo era mais íntimo do Seu Adoniran.
Passamos 3 dias indo de uma cidade a outra. As pessoas nos recebiam bem e chegavam a se emocionar com a presença no palco desse senhorzinho. Ele até se aventurou a dar uma palhinha no final do espetáculo após a apresentação do grupo que estava afinado em suas músicas. Saudosa Maloca, Iracema e As Mariposa contaram com coreografia alegre e percussão aprimorada. 
Não sobrou muito tempo para um papo entre nós. 
Ao final do espetáculo fomos a um bar para relaxar e, claro, jogar conversa fora. Ele não nos acompanhou. Era compreensível na idade dele que quisesse dormir cedo. Afinal, já foi muito boêmio em outros tempos.
Mas nesse final de semana eu não pude ir acompanhando o grupo. Bateu saudade fundo no peito.
Não aguentei e liguei. Vou tentar reproduzir a conversa, embora sem o jeitinho paulistano de falar, assim meio macarrônico. Para uma mineira isso é um pouco difícil. Mas o que importa é o conteúdo.
- E aí, Seu Adoniran? Como estão as coisas?
- Vendo as coisas quadradas.
- Como assim? 
- Um velho de 100 anos como eu, sentado o dia todo num banco de carro, sendo levado de um canto a outro, não poderia ser diferente. Quadrado. Quadrada a cara, quadrada a bunda. Pelo parabrisa do carro só vejo as coisas quadradas.
- E o grupo, Seu Adoniran, tem tratado o senhor bem? Lhe feito companhia? Olha que se não estão eu irei puxar a orelha de cada um deles, viu?
- Bom, isso sim. Eu vou quieto aqui na frente do carro. Eles vão atrás um pouco cansados dessa rotina. Dessa vez não estão nada satisfeitos com o motorista.  Chegou todo cheio de confiança e aborreceu o pessoal. Tentava puxar assunto comigo mas não dei conversa. 
- E a apresentação? O público gostou?
- Ah! Isso sim. Cantaram juntos. Aplaudiram de pé. Quando eu entrei em cena segurando uma vela senti que se emocionavam. Falei umas coisas e eles aplaudiram muito.
Mas bom mesmo é o lanche do camarim. Enquanto o grupo vai se apresentando eu fico sentado lá dentro só saboreando aquilo tudo.
- Quando volta, então, Seu Adoniran?
- Minha filha, "não posso ficá nem mais um minuto sem você..." Tô voltando minha mariposa. É só me esperar.
Assim desliguei o celular feliz. Mas não muito convencida desse chamego dele por mim. Já aprendi que não devemos confiar num coração boêmio. Ele é por demais inconstante. E ademais, D. Matilde não ia gostar dessa intimidade.

domingo, 7 de novembro de 2010

O heroi de tantas histórias

As estradas nos levam sempre a algum lugar. E um deles com certeza é para nossa casa. Mas para JB, João Batista, 54 anos, a estrada já levou-o e continua levando-o a lugares cada vez mais distantes.
Em uma das estradas que tomei coincidiu com as dele. O destino foram as lembranças de outras andanças de JB.
A sua jornada de heroi começou cedo quando ouviu a buzina acionada na boleia de um caminhão. A buzina soou como um canto de sereia vindo das profundezas de sua alma. Hipnotizou-o tanto, que ele, nem saído da infância, mergulhou nesse imenso mundo onírico, tornou-o realidade e embarcou. Arrumou suas trouxinhas e sem se despedir saiu de casa, aos 10 anos, em São João Del Rey, Minas.
De carona em carona chegou à Praia de Ramos no Rio de Janeiro.
Dormiu sob estrelas e castelos mal formados. Por coberta, jornais relatando histórias alheias, inspirando-o a escrever a própria.
Contudo, seu pequeno corpo repleto de orgulho mineiro não temia o destino.
A liberdade era sua nova casa e o sonho de ser motorista de caminhão se transformou em sua nova família.
Bravamente e destemido lutava pela sua sobrevivência no asfalto endurecido pelas pegadas das adversidades da vida. E sua vida foi-se endurecendo nas batalhas épicas do dia-a-dia. Ele ia crescendo, valente e confiante. Fez de tudo um pouco. Um pouco de palhaço de circo e muito de Papai Noel.
Porém, seu ouvidos não o deixavam esquecer de seu sonho. Sempre que ouvia o som da buzina de um caminhão mais tinha forças para persistir na sua jornada.
Após um tempo JB passou a dormir em vagões de trens e se locomovia pelos trilhos à espera da realização de seu destino. Já haviam passado dezesseis anos. O jeito para ganhar a vida agora era ser pintor. Um fato veio interpor-se em seu caminho. Certo dia um colega de profissão roubou seu tênis. À noite, no vagão em que dividiam, enfrentou o colega e terminou lançado para fora do trem em movimento. O "guerreiro" teve que voltar para casa pela primeira vez, depois de muito tempo, ferido, mas não derrotado.
A mãe o recebeu e pôde acalentar mais uma vez seu filho. Acreditou ser possível retê-lo em seu mundo. Porém, tão logo se recuperou, ele seguiu pela estrada rumo ao seu sonho. 
Novamente na estrada passou por tempestades e solidão.
Aprendeu, enfim, desenhado na palma da mão a guiar um caminhão.
Caminhão, ônibus, van.
As estradas foram se estendendo além dos limites do Brasil.
Pelas estradas construiu sua família. Ao todo nove filhos. Seu maior arrependimento - ter se casado quatro vezes e ter deixado, ao se separar da primeira esposa, uma filha de sete anos.
Assim mesmo se diz muito feliz hoje, embora não permita que a rotina da vida interrompa sua jornada. Já comunicou: "Não me avisem de morte. Eu nada poderei fazer."
Seu maior orgulho: tem casa própria, um carrinho e a família esperando por ele. Se sente vitorioso, um heroi.
O que concluo ao ouvi-lo falar-me é que todo heroi deseja chegar a um porto seguro após as lutas diárias.
JB continua levando pessoas pelas estradas. Mas seu companheiro constante, o que ele lamenta muito, encontrou pelas estradas há muito tempo: o cigarro. No entanto, não deu carona às drogas nem às bebidas. Quer que seus filhos saibam disso como exemplo de firmeza de caráter.
A nossa companhia dividida nessa jornada foi chegando ao fim.
Enquanto compartilhávamos a mesma estrada não precisei de outras distrações. Levei comigo um livro, mas não o abri. Ali estava ao meu lado um homem que soube escrever a própria história e a dividiu comigo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Dia da partida


Enfim, chegou o dia da partida.
Parte você e eu fico aqui a imaginar quando nos reencontraremos novamente.
Fica uma saudade tão grande no peito para um coração tão pequeno.
Pequeno pela sua presença ter sido tão imensa em minha vida.
Não choro pela sua partida. Choro pelo que não poderei ver. Pelo que não poderei sentir.
Sentir na distância... O que é isso meu Deus?
Os olhos sentem a imagem refletida na alma.
Os ouvidos ouvem o que a música do seu respirar sopra ao meu lado.
Não deixe que a distância afaste o tempo conquistado por nós dois.
Não permita que o sonho de tecermos histórias seja interrompido.
O seu caminhar em sua estrada deixará marcas.
Mas minhas asas planarão sobre você.



Ao meu filho Thiago