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domingo, 30 de março de 2008

PQ é Natal... José Altino Machado -meu pai

Porque hoje é Natal

Tempo atrás, em que eu ardia em fogo na busca de horizontes mais azuis e conquistas materiais mais gratificantes, deixei de notar que prejudicava uma afetuosa aproximação para com meus filhos. O tempo que a aventura de vida deixava me era pouco para consolidação de afetos e afagos aos espíritos.

Pai bastante novo, em uma união iniciada logo ao fim da puberdade, jamais pude reparar em coisas mais verdadeiras e que são razão e real sentido de se viver. Nunca pude sequer me convencer que dinheiro de defunto no mais das vezes é a coisa mais incerta, sem dono e incoerente que possa existir. Vez por outra causa surpresas.

Posso me lembrar, entretanto, de que, num período de arranjos em minha casa em Manaus, já solteiro novamente, arranchei-me na de minha filha Roberta. Tão discreto quanto silenciosamente, percebi naquele lar relações humanas entre pais e filhos, para as quais eu não havia nem elaborado a possibilidade de conhecer no passado, que também era da própria Roberta.

Ainda estudante, minha filha, quando perguntada, não fazia nenhum rodeio quanto ao que queria ser no futuro. Dizia ter convicção de que nascera para ser mãe e que essa seria sua carreira. Não foi bem como ela disse querer. Foi além! Fez também um curso superior de pedagogia, tornando-se grande mãezona nos departamentos específicos que dirige em educandários.

Tem três filhos, hoje adultos. Desde bebês, manteve com eles constante diálogo. Jamais arremedou voz de criança em tal comunicação. Mal ainda soubessem diferenciar sons, ou mesmo a conhecendo apenas pelo cheiro, já lhes falava como adultos. Os três andaram com menos de ano e em tempo quase igual falaram. Educados na conivência social, ainda são verdadeiros campeões nas escolas que freqüentam. Na verdade, antes disso, são os melhores diplomas de sucesso que “Boba” pode apresentar, como a grande mãe que é.

Talvez eu não tenha podido lhe ensinar muito, mas com ela aprendi coisas fundamentais para uso na nova oportunidade que Deus me concede de ser pai. Não estou mais nem aí para o que possa parecer loucura, mas converso a exaustão com Duda, seis anos, e no exagero até com Marco Túlio, dez meses. Sequer mudo o português, apenas amacio a voz. Tanto um quanto outro aprenderam a levar minha paciência aos limites e ultrapassá-los, o que nunca imaginei ser possível.

No tempo que corre, Natal é o melhor assunto das crianças, que para os pais nem sempre é muito bom, principalmente quando não ficam baratos. E não adianta tentar mudar o papo, esse é o da vez. E Duda não é nada diferente da grande maioria infanto-juvenil. Adora falar das conseqüências do Natal. O motivo de ser Natal ainda não a alcançou, mas os exemplos deixados por Baltazar, Belquior e Gaspar, para ela, são uma delícia. Criada meio a adultos, alguns solteirões já ficando rabugentos, como tio Ângelo, por quem tem carinhosa queda, já se dispõe a fazer questionamentos, no mínimo bastante precoces.

Há alguns dias, queria saber, que já se sabendo não existir Papai Noel, por que os pais e adultos incentivam essa história e teimam em convencer aos filhos de que ela é verdadeira.

Logo busquei na memória as razões que Roberta traria para aquela situação, nova, em que me encontrava. Admitir que os adultos são costumeiros mentirosos, nem pensar, ela jamais faria isso. Mas, não foi tão difícil... Encontrei jeito e forma de dizer a minha filhinha que Papai Noel existe sim, e que ele era um fabuloso espírito e presente bastante real, que Deus trouxera aos homens, pelo nascimento de seu filho Jesus. Que também ao longo de toda a história humana sua figura tornou-se grande responsável por um período de criação, até universal, do ambiente de possível bondade e serenidade, nas relações e nos difíceis comportamentos humanos. Nós, pais e adultos, talvez tenhamos errado, tão somente na forma folclórica e até comercial, de o apresentar.

Creditamos às sabedorias Divinas que este período aconteça em fim de ano, nos fazendo esquecer das amarguras decorrentes do que se viveu, criamos coragem, exercitamos promessas de paciência para com o próximo e alimentamos esperança de que as coisas sejam melhores, parecendo até um diferente começar de novo.

Uma coisa, porém, é certa, Natal nos dá saudade de todo mundo, e saudade é guardar no peito e vontade de ver de novo. O que sempre tenho de Roberta e dos filhos que estão longe. É possível que Duda não entenda, hoje, mas em pouco tempo encontrará, sozinha, respostas até melhores que as que tenho lhe dado. Principalmente de que, não fora o Natal, é possível, o mundo viesse a se perder afogado nas intolerâncias...

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